Rede Concepcionista de Ensino  - Colégio Maria Imaculada - Rio de Janeiro-RJ

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Maria Imaculada

Rio de Janeiro-RJ

Notícias

Oct.
09

2018

Julgamento de Capitu

“Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no
que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para
atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título
para a minha narração - se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu
poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o
título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus
autores; alguns nem tanto.”
A inquietação que Dom Casmurro provoca nos leitores, desde que foi publicado pela
primeira vez, é responsável por consolidar esta obra como uma das mais incríveis já
escritas em Língua Portuguesa. Adotada como livro paradidático do segundo trimestre para
a turma de 2° ano do Ensino Médio, o clássico, como afirma a epígrafe, apresenta um
homem calado e metido consigo que, após uma vida cheia de dúvidas tenta reunir a velhice
à adolescência, e explicar o que fora durante sua vida. Fruto das mais variadas análises, a
questão do ciúme presente nesta narrativa encanta e espanta diversos leitores que,
maduros ou não, perguntam-se sobre a traição de Capitu, contada exclusivamente sob o
viés da irônica figura de Dom. Foi baseada nessa discussão homérica que propus à turma a
criação de um tribunal em que eles deveriam ler a obra e se posicionarem acerca da vida de
Bento Santiago, Maria Capitolina e Ezequiel.
Aproveitando o gancho da Semana de Profissões proposta pela escola, quisemos mostrar
um pouco do que as atividades laborais poderiam fazer para contribuir com a análise da
obra que não deveria - tamanha sua importância - ser vista apenas sob o viés literário e, por
isso, criamos um julgamento em que diversas personalidades puderam contribuir para a
análise da narrativa. Dessa forma, tivemos juízes, advogados, psicólogos e as próprias
personagens, representadas pelos alunos, se posicionando como testemunhas do
relacionamento entre a família de Capitu e de Escobar, para que o júri pudesse tomar a sua
decisão com base no questionamento que assola leitores de diversas partes do mundo:
traiu ou não traiu?
Assim, os alunos, além do contato com a narrativa por meio da leitura, puderam buscar
informações extras sobre a lei que condenava o adultério, informações históricas do período
em que viveu Machado e em que a obra foi escrita, e, principalmente, exercerem sua
capacidade argumentativa - item proposto nas aulas de Produção Textual.
Nós tribunal foi composto por uma juíza, três jurados, um advogado de defesa, um de
acusação e as personagens. Cada um teve seu direito ao momento de fala e cada grupo
(acusação e defesa) teve que apresentar cenas que justificassem seu argumento a favor ou
contra a ré Maria Capitolina Santiago. Foi um momento inesquecível para os alunos e para
nossa escola. E que venha a leitura do Cortiço…